quinta-feira, 2 de abril de 2009

A IMPORTÂNCIA DO ACONSELHAMENTO

Reginaldo de Oliveira
Site pessoal - http://www.reginaldo.cnt.br/
E-mail - reginaldo@reginaldo.cnt.br


Publicado no Jornal do Commercio em 02/04/2009 – Manaus/AM - Pag. A3
www.artigo03.rg3.net

O pai da psicologia analítica, Carl Gustav Jung disse que quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta. Talvez tenha dito isso porque sabia que o mundo está cheio de ambigüidades e sinais que confundem a nossa percepção. Dessa forma, quando os elementos que nos cercam ganham escala e complexidade limitando a nossa capacidade de digeri-los, temos que fazer um exercício de introspecção para rever os nossos métodos, nossa linguagem e nosso julgamento. Caso contrário, corremos o risco de ficar aprisionados no limbo da inércia enquanto as coisas que deveríamos controlar se transformam num monstro de numerosos tentáculos. Essa paralisia de paradigma é hoje potencialmente danosa em face da acirrada competitividade empresarial.

Pesa sobre os ombros do administrador moderno uma sobrecarga de responsabilidades e decisões difíceis que têm que tomar diariamente, sendo que a maioria deles age no escuro apostando na sua intuição. É flagrante o fenômeno da alta concentração de prerrogativas no principal administrador, seja ele executivo ou proprietário de uma organização econômica. As limitações técnicas do staff combinadas com a falta de uma cultura organizacional bem estruturada suscitam a desconfiança que leva a revisão das informações apresentadas. É Possível que esse comportamento seja fruto da idéia de que a pessoa no topo tenha uma orientação voltada para a sobrevivência do negócio enquanto os demais níveis estão atentos à preservação dos seus empregos. Ou seja, o instinto de defesa do território é o mecanismo direcionador das ações dos empregados. Conclui-se, então, que o rei está só e que o conjunto de informações que recebe é de algum modo filtrado com vistas à proteção de interesses.

Esse estado de coisas obriga o administrador a transitar pelas mais diversas áreas do conhecimento para se sentir seguro nas suas decisões, sendo que dificilmente conseguirá um resultado satisfatório. Um ou outro poderá desenvolver a capacidade de abraçar os processos inteiros de sua empresa em profundidade, mas um volume extremado de análise poderá resultar numa congestão mental e até problemas psiquiátricos.

Para ser resgatado do atoleiro, o gestor pode lançar mão dos serviços de um Conselheiro, uma pessoa em que encontre ressonância para os seus anseios e temores; que possa compartilhar suas angústias, dilemas e refazer a conexão com os mais variados subsistemas do seu negócio. A missão será ampliar o espaço na mente do administrador para as ambigüidades do mundo, sentimentos conflitantes e idéias contraditórias. Também, deverá reorganizar as estruturas mentais do administrador para que ele possa equacionar os problemas de forma a reduzir substancialmente o estresse e a fadiga. Outra importante tarefa é desobstruir os canais por onde percorrem os fluxos de informações e retratar o negócio ou a estrutura organizacional nas suas cores originais. O conselheiro deverá passear livremente pelas instalações da empresa, estabelecer contato com seus integrantes, analisar uma gama variada de informações e ter a capacidade de incorporar o espírito da organização.

Deduz-se, obviamente, que não é fácil encontrar um profissional que reúna as qualidades necessárias para o tipo específico de conselheiro aqui tratado. Os serviços tradicionais de consultoria não teriam o mesmo efeito por estarem encouraçados por formalidades técnicas e legais. A eficácia do trabalho só é obtida se for estabelecida uma relação de confiança com o aconselhado, o qual deverá acreditar na qualificação técnica, no caráter, na honestidade e na seriedade do trabalho do conselheiro. O conselheiro jamais poderá emanar sinais que despertem suspeitas de que seus conselhos estejam contaminados por algum tipo escuso de interesse.

Alguns administradores já tiveram a felicidade de contar com a ajuda de excelentes conselheiros, como por exemplo, um sócio, um amigo ou alguém que por algum motivo desenvolveu uma relação de confiança. É muito importante que o administrador seja capaz de encontrar nas pessoas que se relaciona o seu possível guia e mentor.

Reginaldo de Oliveira é Consultor Contábil e este artigo é fruto da longa amizade com o brilhante empresário, Sr. Adevair Vieira, com quem eu mais aprendi do que ensinei.


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