terça-feira, 24 de março de 2009

O Desafio da Integração de Sistemas

Reginaldo de Oliveira
http://www.reginaldo.cnt.br/

Publicado no Jornal do Commercio - Manaus - 26/03/2009 pág. A3
www.artigo02.rg3.net


Por volta do início do segundo milênio da era cristã um regimento de nobres e clérigos decidiu resgatar a terra santa das mãos dos hereges maometanos. Reuniram-se recursos e tropa e lá partiram os cruzados ungidos pelas bênçãos de deus todo poderoso. O objetivo geral era conhecido e os bravos guerreiros acreditavam ser capazes de cumprir tão sublime missão. Mas eis que a coisa não saiu como esperado. Muitos homens ficaram pelo caminho devido ao extremo desgaste da jornada e os que restaram não tiveram forças para enfrentar o inimigo. Outras investidas foram feitas sendo que após muito tempo de insistência no projeto a quase totalidade das pessoas acabou perdendo o foco do objetivo estabelecido lá no início do processo. De certo ponto em diante cada grupo ou pessoa passou a trabalhar em prol dos seus próprios interesses e, após sucessivos erros estratégicos o resultado final só poderia ter sido um grande desastre.

Qualquer organização pode ser definida como uma complexa estrutura de fluxos de informações que conectam os seus mais diversos pontos internos, além de fazer interface com estruturas existentes no seu entorno. É muito importante que essa organização possua uma estrutura de controle interno inteligente e funcional, visto que é esta a postura que irá prover-lhe meios de adaptação imediata aos humores do ambiente externo e garantir sua sobrevivência.

O volume de informações produzido numa empresa combinado com a imensa complexidade dos controles legais geram demanda por uma gestão inteligente dos negócios que somente um sistema ERP (Enterprise Resources Planning) pode atender. Quanto maior a necessidade de informações tempestivas e relevantes, mais robusta e eficiente deverá ser a estrutura de controle. Essa dita estrutura é o sistema nervoso da organização.

Aplicar esse conjunto de conceitos no desenvolvimento de uma gestão eficiente da informação não é tarefa fácil, em vista da dificuldade de reunião dos requisitos necessários para tal fim. Daí, a importância da adoção de cuidados especiais para evitar resultados tempestuosos. Antes de tudo é preciso buscar respostas para algumas questões tais como: Quais são os processos críticos? ; Quem será o líder da mudança? ; Que atributos culturais interferirão na mudança? ; Quais serão as mudanças mais difíceis e como serão enfrentadas? ; Qual o grau de maturidade da equipe de usuários do novo sistema? ; Qual o nível de organização dos processos internos?

Respondidas as questões parte-se para a elaboração de um projeto que contemplará o desenho de todos os processos a serem integrados. Era esse o procedimento padrão antes do fenômeno da dispersão de dados na organização, quando entravam em cena os famosos profissionais de O&M. Atualmente essa prática não é tão comum devido ao fato de que muitas empresas mudam seus sistemas de controle interno sem prévia elaboração de um projeto. Ou seja, iniciam uma jornada sem conhecimento do terreno e sem planejamento. No começo todos ficam entusiasmados e crentes no sucesso do empreendimento. Lá pelas tantas começa a pipocar uma série de imprevistos, conflitos, desgastes, insatisfações etc. Começa também a procura pelos bodes expiatórios e trocas de acusações. Depois de muitos recursos despendidos e desvios dos objetivos sobra uma estrutura deformada e ineficiente, uma espécie de lama burocrática. Isso, quando não se transforma numa máquina de fabricar problemas. A parte mais trágica dessa história é a perda de perspectiva e descrença total no projeto.

Quando a situação se apresenta nessa fase aguda, é muitíssimo importante dar uma parada e analisar serenamente o cenário em volta. É preciso voltar-se para os valores da empresa e se concentrar na solução do problema. É necessário questionar honestamente se houve insuficiência técnica para administrar o projeto, elevar-se acima da confusão para ter uma visão panorâmica do problema e não responsabilizar as pessoas erradas pelos desvios de rota. Principalmente, é fundamental descobrir se a solução tecnológica adquirida no mercado é adequada e se os licenciadores do sistema de gestão dominam sua ferramenta de trabalho. É recomendável também buscar suporte externo para ajudar na compreensão, dimensionamento e solução do problema.

...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua mensagem será publicada assim que for liberada. Grato.